A sonda Psyche, da Nasa, realiza hoje uma passagem próxima de Marte para ganhar velocidade e corrigir sua rota em direção a um asteroide incomum, avaliado em cerca de US$ 10 quintilhões.
A aproximação deve levar a espaçonave a apenas 4.500 km da superfície marciana, com velocidade de aproximadamente 19.848 km/h.
Nesse trajeto, a gravidade de Marte funcionará como uma espécie de estilingue, impulsionando a missão de volta ao Cinturão de Asteroides, região localizada entre Marte e Júpiter e onde fica o alvo principal da expedição: o asteroide Psyche.
As câmeras de alta resolução da sonda já começaram a registrar imagens de Marte.
Segundo Jim Bell, responsável pela equipe de imagens da Universidade Estadual do Arizona, a operação tem dois objetivos centrais: ajustar com precisão os instrumentos e, ao mesmo tempo, capturar fotos impressionantes.
Estamos nos aproximando de Marte em um ângulo de fase muito alto, o que significa que estamos chegando pelo lado noturno, com apenas uma pequena faixa iluminada formando uma fina crescente. A visão da aproximação e, depois, a perspectiva quase de Marte cheio após o sobrevoo criam oportunidades ideais tanto para observações de calibração quanto para imagens muito bonitas, explicou Bell.
Objeto pode ser resto de núcleo planetário
sonda Psyche
Descoberto em 1852, o 16 Psyche recebeu esse nome em homenagem à deusa grega da alma, Psiquê.
Com formato irregular, lembrando uma batata, e dimensões de 278 km de comprimento por 232 km de largura, ele pode ser, de acordo com cientistas, o núcleo exposto de um planeta que não chegou a se formar por completo e acabou destruído por colisões há bilhões de anos.
A Nasa lançou a missão Psyche em outubro de 2023 com a proposta de visitar o asteroide e estudá-lo de perto.
A chegada ao destino está prevista apenas para agosto de 2029. Depois disso, a nave deve orbitar o objeto por 26 meses, reunindo dados sobre composição, estrutura e campo magnético.
Exploração pode trazer pistas sobre a Terra
Ao analisar Psyche, os pesquisadores esperam entender melhor como se formaram os núcleos metálicos de planetas rochosos, como a Terra.
Isso porque o núcleo terrestre não pode ser explorado diretamente. Nesse sentido, Psyche pode funcionar como uma espécie de janela para esse tipo de estrutura.
A hipótese dos cientistas é que o asteroide seja o núcleo exposto de níquel e ferro de um planeta em formação que foi desfeito por colisões cósmicas.
Observar um corpo assim de perto pode revelar pistas sobre o início do Sistema Solar, há 4,6 bilhões de anos, além de ajudar a explicar como e por que a Terra acabou reunindo condições para a vida.
O asteroide de US$ 10 milhões de milhões de milhões
O valor estimado de US$ 10 quintilhões para Psyche vem com ressalvas importantes.
A própria cifra foi tratada como “falaciosa em todos os sentidos” por Lindy Elkins-Tanton, líder da missão e responsável pela estimativa, em entrevista ao New York Times em 2023.
Ela destacou que, para transformar todo o metal de Psyche em dinheiro, seria preciso trazer o material inteiro para a Terra, algo praticamente inconcebível.
Além disso, caso fosse mesmo possível transportar essa quantidade colossal de metal, haveria muito mais oferta do que qualquer mercado conseguiria absorver, o que faria o preço despencar.
Quanto é US$ 10 quintilhões?
É uma quantia quase impossível de imaginar, equivalente a US$ 10 milhões de milhões de milhões.
Para dar uma ideia, se um carro novo muito bom custasse US$ 100 mil, com US$ 10 quintilhões obtidos na mineração de asteroides seria possível comprar um carro desses para cada pessoa do planeta e ainda trocá-lo por um modelo mais novo a cada hora.
E isso poderia continuar para todas as pessoas, hora após hora, por cerca de um ano e meio, até o dinheiro acabar.
Embora muitos asteroides sejam formados principalmente por rocha ou gelo, Psyche parece ser especialmente rico em metais.
As estimativas apontam que ele pode conter até 60% de metais, incluindo ferro, níquel e possivelmente até ouro e platina, o que o torna um objeto único no Sistema Solar.