Discord entra no radar de investigações sobre crimes e gera alerta na plataforma

O Discord voltou ao centro das investigações policiais após ser citado em um caso que apura a tortura e a morte de animais para a comercialização de vídeos de maus-tratos na plataforma. Uma empresária suspeita de envolvimento no esquema foi presa na quinta-feira (28) durante uma operação da Polícia Civil de São Paulo, mas acabou sendo solta poucas horas depois.

Segundo a investigação, Daiana Schuinsekel de Almeida gravava as agressões contra os animais e vendia o material na plataforma para pessoas de países da Europa. Nas imagens, ela aparece esmagando os bichos com os pés e as mãos, em um caso que ajudou a colocar o Discord novamente no centro de uma apuração policial.

Segundo informações da TV Globo, os celulares de Daiana não puderam ser acessados, o que impediu o flagrante no momento da abordagem. Com isso, a suspeita foi liberada e vai responder em liberdade pelos crimes de maus-tratos e atos obscenos.

O que é o Discord

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O Discord voltou ao centro das atenções após ser citado em investigações sobre crimes, incluindo a suspeita de tortura e a venda de vídeos de maus-tratos a animais. A plataforma, porém, não nasceu com esse objetivo: ela ficou conhecida principalmente entre adolescentes e jogadores, justamente por facilitar a conversa durante partidas on-line.

Segundo o site oficial da empresa, Jason Citron e Stanislav Vishnevskiy lançaram a plataforma em 2015, com a proposta de oferecer uma forma confiável de conversar enquanto jogavam na internet.

É justamente nesse tipo de uso que o Discord chama atenção: pela transmissão ao vivo, os usuários podem assistir, participar de jogos e comentar em tempo real. A revista norte-americana Wired define a plataforma como uma experiência multimídia, usada também para transmitir vídeos, jogar à distância, ouvir música em grupo e simplesmente passar tempo com outras pessoas.

Além da forte presença entre jovens, o Discord também é usado para trabalho, cursos e comunidades de interesse. Durante a pandemia, a plataforma ganhou ainda mais usuários e passou a alcançar públicos além dos gamers.

Em 2025, o Discord registrava 200 milhões de usuários mensais no mundo, sendo que 93% deles jogavam on-line, segundo o próprio aplicativo.

O Discord é pago?

A versão básica do Discord é gratuita. No entanto, a plataforma também oferece planos pagos, chamados de Nitro.

Esses pacotes incluem recursos extras, como emojis personalizados e envio de arquivos maiores.

Uso da plataforma para crimes contra menores

O Discord tem sido usado por criminosos para transmitir vídeos ao vivo, chantagear vítimas e forçá-las a cumprir desafios sob ameaça de vazamento de fotos íntimas, como mostrou o Fantástico em maio de 2023.

A promotora Maria Fernanda Balsalobra reforçou, na mesma reportagem, que esse tipo de prática não é cometido por adolescentes, mas por criminosos — em sua maioria adultos — que se aproveitam da vulnerabilidade da plataforma para cometer crimes graves contra meninas e adolescentes.

A rede também virou espaço de encontro para grupos que difundem narrativas de contracultura, como o movimento incel, além de hackers e investidores em criptomoedas, segundo a agência DW.

Segundo Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks, esse ambiente favorece esse tipo de situação por uma combinação de fatores: o Discord foi criado para o público gamer e, por isso, é muito popular entre jovens; permite criar grupos privados com facilidade, ao contrário de redes que priorizam conteúdos públicos; e tem moderação descentralizada.

Nesse modelo, os próprios criadores das comunidades fazem a maior parte da moderação de mensagens e usuários, o que dificulta o controle e ajuda a explicar por que a plataforma pode aparecer em investigações sobre crimes.

Central da Família

Em setembro de 2023, o aplicativo lançou a ferramenta Central da Família, ou Family Center, em inglês. Ela permite que pais ou responsáveis acompanhem parte da atividade dos filhos na plataforma, com mais visibilidade sobre o uso do Discord.

Com isso, os responsáveis conseguem ver com quais usuários o adolescente conversa e em quais comunidades do Discord ele participa. O conteúdo das conversas, porém, não fica disponível para visualização.

A empresa orienta que a ativação seja feita junto com o adolescente, já que a atividade da conta só será compartilhada com a aprovação dele.

Veja como ativar

Para usar a ferramenta, é preciso ter o aplicativo Discord instalado no celular.

No app, acesse a opção Central da Família, dentro de Configurações do usuário, e toque em ativar Central da Família.

Depois disso, o adolescente deve informar o código QR gerado no próprio aplicativo. Esse código fica disponível na guia Central da Família, na opção Conectar com o pai.

Na etapa seguinte, o responsável escaneia o código com o próprio aplicativo Discord.

Quando o adolescente confirma a conexão, os dois passam a ter acesso completo à Central da Família.

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