IA médica da OpenAI ajuda hospital de Boston a identificar 18 casos raros de doenças

A inteligência artificial da OpenAI ajudou médicos do Boston Children’s Hospital, nos Estados Unidos, a chegar ao diagnóstico de 18 crianças com doenças raras que ainda não haviam sido identificadas por especialistas, segundo o jornal britânico The Independent.

Tecnologia para diagnóstico médico

Um estudo publicado na NEJM AI, revista ligada ao New England Journal of Medicine, aponta que o modelo o3 da empresa pode ser útil para resolver casos clínicos sem resposta.

A pesquisa avaliou 376 genomas de pacientes com doenças raras e encontrou quase 5% de novos diagnósticos. Entre os casos analisados, estavam dez crianças com doenças raras do neurodesenvolvimento, quatro com distúrbios neuromusculares, duas que morreram de forma súbita e duas com psicose precoce.

Catherine Brownstein, pesquisadora do Manton Center for Orphan Disease Research, classificou o resultado como “uma mudança total”.

Brownstein explicou que o hospital cruza os genomas de pacientes com doenças raras com genes recém-descobertos em busca de um diagnóstico mais preciso.

IA na prática clínica

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Imagem: Dado Ruvic/Reuters

Outro autor do estudo, Suyash Shringarpure, afirmou que um pesquisador consegue dedicar apenas um tempo limitado a cada caso.

Segundo ele, um paciente pode ter ficado sem resposta quando foi avaliado pela primeira vez, mas, meses depois, um novo artigo científico pode trazer a ligação entre o gene e a doença.

“Talvez um caso tenha permanecido sem solução quando chegou até eles, mas um ano depois um artigo foi publicado e esclareceu a ligação entre o gene e a doença”, disse Shringarpure, pesquisador da OpenAI voltado para a área da saúde.

Um dos pacientes diagnosticados com ajuda da IA foi Kyra Benton. Ela começou a apresentar sintomas aos 9 anos, incluindo andar na ponta dos pés e dificuldade para correr, e o quadro foi piorando com o passar dos anos sem que os médicos encontrassem a causa.

Pouco antes de completar 20 anos, no ano passado, os pesquisadores concluíram que ela tinha miopatia miofibrilar, um distúrbio neuromuscular genético progressivo.

“Sinceramente, sou do tipo de pessoa que não é tão favorável à IA”, disse Benton à NBC News. “Por outro lado, reconheço que ela tem suas vantagens.”

A OpenAI informa em seus termos de uso que sua tecnologia não deve ser utilizada para autodiagnóstico.

No estudo, o modelo foi usado apenas como ferramenta de apoio, com notas médicas, sintomas e genes suspeitos. Depois, as respostas passaram por revisão humana antes da definição do diagnóstico final.

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