O que se sabe sobre o alerta extremo falso da Defesa Civil
Moradores de diferentes cidades brasileiras foram surpreendidos por alertas extremos falsos enviados entre a noite de sexta-feira (19) e a madrugada de sábado (20). As mensagens continham a palavra “misantropia” e, em alguns casos, faziam referência a um suposto “ataque alienígena”.
A Defesa Civil Nacional informou que a plataforma foi invadida e retirada do ar durante a madrugada. A Polícia Federal abriu uma apuração preliminar para entender como os alertas foram disparados.
Mapa das regiões que receberam alertas da Defesa Civil Nacional — Foto: Gabriel Wesley Marques Santos/Arte g1
Como os alertas falsos foram enviados
O Defesa Civil Alerta é o sistema usado para avisar a população sobre situações de emergência. Ele funciona com a tecnologia Cell Broadcast, que envia mensagens para celulares conectados à rede móvel em uma área específica.
Os avisos aparecem em formato de pop-up na tela do aparelho e, em casos de maior gravidade, também podem emitir som para chamar a atenção de quem estiver no local.
A principal suspeita do órgão nacional é que o sistema tenha sido acessado de forma indevida. Segundo a Defesa Civil, as mensagens teriam sido disparadas remotamente por alguém sem autorização, possivelmente em um ataque hacker.
Além do alerta sonoro, moradores do Rio de Janeiro relataram o recebimento de mensagens de texto com conteúdo estranho. Em um dos registros enviados ao g1, a frase atribuída à Defesa Civil dizia: “misantropo ADRESS RJ burros dms pprt”.
Em Belo Horizonte, outra mensagem exibida foi: “Proteja-se: ATAQUE ALIENÍGENA, HUMANOS CHEGAMOSmisantropo”.
O caso também foi relatado por moradores de Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Campo Grande.
O que disseram as Defesas Civis
Em nota, as Defesas Civis do Paraná, de São Paulo e do Rio de Janeiro afirmaram que não enviaram as mensagens e reforçaram que não havia qualquer situação real de risco.
A Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil de Mato Grosso do Sul informou que o caso está sob investigação.
Já a Defesa Civil de São Paulo disse, ainda na madrugada de sábado, que desativou temporariamente a ferramenta até que as autoridades federais esclareçam o problema no programa nacional Cell Broadcast.
A Defesa Civil Nacional informou que a plataforma Defesa Civil Alerta foi tirada do ar às 1h30 da madrugada de sábado, depois de sofrer uma invasão. Em nota, o órgão afirmou que acionaria a Polícia Federal e adotaria as medidas necessárias para religar o sistema assim que houver segurança para isso.
Quem vai investigar
Ainda no sábado (20), a Polícia Federal abriu uma investigação preliminar para apurar o envio dos falsos alertas extremos.
Segundo a corporação, o procedimento já está em andamento.
O Ministério da Integração também informou que acionou a PF para investigar o episódio. Para o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, “tudo indica” que se trata de um ataque hacker.
De acordo com ele, 10 alertas falsos foram disparados. Nove deles teriam sido enviados por Cell Broadcast e um por SMS.
Até o momento, ainda não é possível saber quantos celulares receberam as notificações.
Como funciona o Defesa Civil Alerta
O Defesa Civil Alerta é um sistema público criado para enviar avisos de emergência a celulares que estejam em áreas de risco.
Ele é usado em situações como chuvas intensas, enchentes, enxurradas, alagamentos, deslizamentos de terra, vendavais e outros eventos com potencial de colocar vidas em perigo.
A tecnologia usada é o Cell Broadcast. Diferentemente de SMS comuns ou notificações de aplicativos, o sistema não depende de cadastro individual.
A mensagem é transmitida pelas antenas de telefonia para todos os aparelhos compatíveis conectados à rede móvel dentro de uma área delimitada.
Isso permite que a Defesa Civil envie avisos para regiões específicas, definidas por critérios técnicos e geográficos.
Por esse motivo, o serviço não exige cadastro prévio, aplicativo instalado, pacote de dados ativo nem conexão com a internet.
A ideia é alcançar o maior número possível de pessoas com rapidez quando há risco iminente.
Alerta extremo é o nível mais grave
As mensagens enviadas neste fim de semana pertenciam à categoria “Alerta Extremo”, a mais séria do sistema.
Esse tipo de aviso é usado quando a Defesa Civil identifica ameaça com risco imediato à vida e entende que a população precisa buscar proteção sem demora.
A categoria já foi acionada em outras ocasiões. A Anatel mantém um portal com os alertas mais recentes emitidos pelo sistema.
Entre os exemplos mais recentes está um aviso de 31 de maio de 2026 para moradores de Manaus (AM): “Deslizamento para Manaus. Afasta-se de encostas. Procure abrigo seguro”.
Segundo dados da Anatel, a mesma classificação foi usada ao longo de 2025 em diferentes regiões do país para alertas de alagamentos, tempestades com raios, deslizamentos, queda de granizo, inundações e vendavais.
Além do alerta extremo, o sistema também conta com o “Alerta Severo”, que é menos urgente. Nessa categoria, a população tem mais tempo para tomar providências, de acordo com a Defesa Civil.
O que significa misantropia
De acordo com o dicionário Michaelis, misantropia é a característica de quem sente aversão, desconfiança ou rejeição pela humanidade.
O termo também pode ser usado para descrever isolamento social ou um estado de tristeza profunda e melancolia.
Na prática, uma pessoa misantropa costuma evitar o convívio social ou demonstrar descrença em relação aos outros. Isso não quer dizer, necessariamente, que ela odeie todo mundo, mas pode indicar dificuldade de relacionamento ou uma visão pessimista sobre a natureza humana.
O que diz a Defesa Civil Nacional
“A plataforma de envio do Defesa Civil Alerta foi tirada do ar às 1h30 da madrugada deste sábado (20/6), após ter sofrido uma invasão e disparado um alerta para diversas regiões do país, ordenado remotamente por alguém alheio ao Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil. A mensagem disparada foi do tipo Alerta Extremo e continha a palavra ‘misantropia’ — que significa ódio à humanidade. Provavelmente se trata de um ataque hacker. A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional acionará a Polícia Federal e tomará as providências para religar o sistema o mais rapidamente possível, quando todas as condições de segurança forem restabelecidas.”