Logística da Amazon ganha robôs, drones e Alexa mais humana

4.800 robôs. Três andares. Mais de 60 mil estantes se deslocando sem parar. O centro de distribuição mais avançado da Europa está operando em Londres, e a reportagem entrou para ver de perto como essa engrenagem funciona.

Ali, a Amazon apresentou um retrato do que quer para o futuro: robôs que percebem o ambiente, máquinas que entendem comandos em linguagem natural, drones já realizando entregas no Reino Unido e uma Alexa cada vez mais próxima de uma conversa humana. A empresa abriu as portas do LCY3 para cerca de 90 jornalistas de vários países e mostrou a direção que pretende seguir.

Londres foi escolhida para receber a quarta edição do Delivering the Future, principal evento global da companhia. Jornalistas de diferentes partes do mundo se reuniram na sede da Amazon, em Shoreditch, na semana passada, depois de passagens por Dortmund, Tóquio e São Francisco, para acompanhar os números que indicam uma mudança de escala nas operações. Ainda assim, os dados acabaram ficando em segundo plano quando o grupo entrou no LCY3.

Dentro do galpão

O LCY3, em Londres, é o centro de distribuição mais automatizado da Amazon na Europa. Os números impressionam antes mesmo da entrada: são três níveis, 1.600 robôs Proteus em cada andar e 4.800 unidades no total, trabalhando para mover mais de 60 mil estantes em fluxo contínuo.

De perto, a operação lembra uma coreografia precisa. Cada robô sabe exatamente onde está, para onde precisa ir e quais obstáculos deve evitar.

O Proteus é o robô autônomo da Amazon voltado ao transporte interno de cargas. A nova geração combina inteligência artificial com comandos em linguagem natural, permitindo que funcionários orientem as máquinas de forma conversacional, sem necessidade de programação especializada.

Em relação ao modelo anterior, que atuava apenas em áreas de doca, o novo Proteus pode circular por qualquer ponto do centro de distribuição e receber instruções em linguagem comum. Na prática, é possível falar com ele como se fala com um colega de trabalho.

O Vulcan vai além. Ele é o primeiro sistema robótico da Amazon com sentido de toque, capaz de enxergar e sentir objetos ao mesmo tempo para operar em ambientes muito cheios. Enquanto a maior parte dos robôs industriais depende só de câmeras e sensores, o Vulcan consegue perceber pela pressão se está segurando algo frágil ou mais resistente.

O drone que já voa no Reino Unido

Se o LCY3 mostra o que a Amazon já faz hoje, o Prime Air aponta para o próximo passo. A empresa começou a realizar entregas com drones no Reino Unido a partir do centro de distribuição de Darlington, no norte da Inglaterra, que se tornou a primeira cidade fora dos Estados Unidos a receber o serviço.

A operação funciona como um teste aprovado pela CAA, a autoridade de aviação civil britânica, e vai até o fim de 2026. O limite é de 10 voos por hora e 100 entregas por dia útil.

Os pacotes precisam pesar menos de 2,2 kg e podem chegar em até duas horas. No aplicativo, o cliente escolhe se quer receber por drone e paga US$ 4,99 pelo serviço, o mesmo valor cobrado atualmente nos EUA, onde a iniciativa já está ativa em oito localidades.

Darlington, por enquanto, é a única cidade fora do país a contar com esse modelo. A Amazon ainda avalia a viabilidade econômica e as regras do espaço aéreo antes de pensar em uma expansão maior.

Alexa mais humana

Entre as apresentações, o destaque que mais chamou atenção foi a Alexa+. Trevor Wood, gerente da Amazon, mostrou os avanços da nova geração do assistente de voz.

A Alexa+ leva a IA conversacional a outro nível. Ela entende linguagem informal, frases quebradas e até interrupções no meio de uma conversa. Também consegue fazer compras, pedir corridas, reservar mesas em restaurantes e concluir tarefas do início ao fim, em vez de apenas responder perguntas.

A principal mudança está na forma como interpreta a fala. Com a nova versão, comandos que antes exigiam frases exatas e entonação específica agora podem ser dados de maneira livre, como em um diálogo comum.

Questionado sobre a possibilidade de a Alexa+ funcionar com vários idiomas ao mesmo tempo, traduzindo conversas em tempo real entre pessoas que falam línguas diferentes, Wood foi direto: esse é o “Northern Star” da equipe, o objetivo máximo que orienta o desenvolvimento.

Ele também adiantou que a chegada da Alexa+ ao Brasil deve acontecer em breve.

Os dados no Brasil

Com esse cenário tecnológico em evidência, a Amazon também apresentou os números da operação brasileira, que completou 15 anos em 2025 com resultados recordes.

No ano passado, a empresa investiu mais de R$ 19 bilhões em infraestrutura, tecnologia e pessoas no Brasil, o que equivale a cerca de R$ 52 milhões por dia. Desde 2011, o total acumulado já passa de R$ 75 bilhões, sendo que mais de R$ 65 bilhões tiveram impacto direto no PIB nacional, segundo a consultoria Keystone.

Somente em 2025, a contribuição para o PIB brasileiro superou R$ 16 bilhões. No mercado de trabalho, a companhia soma mais de 55 mil empregos diretos e indiretos, alta superior a 50% em relação ao ano anterior.

“Ao celebrar 15 anos de dedicação ao Brasil e um investimento acumulado de R$ 75 bilhões, reafirmamos não apenas nosso compromisso de longo prazo com o país, mas também a recepção positiva dos consumidores e o crescimento exponencial dos nossos negócios ao longo dos anos”, afirma Juliana Sztrajtman, presidente da Amazon Brasil.

Além do carrinho

A Amazon já não se apresenta apenas como uma varejista. Na conversa com a reportagem, a presidente destacou a aposta em conteúdo local, citando as séries “Tremembé” e “Cangaço Novo”, produções originais no Amazon Music, transmissões esportivas ao vivo com exclusividade nas finais da NBA e no Brasileirão, além do patrocínio às seleções brasileiras de futebol feminina, masculina e de base.

Sztrajtman também ressaltou que esse patrocínio ganha ainda mais peso com a proximidade da Copa do Mundo na América do Norte.

O repórter viajou a convite da Amazon.

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